Li há pouco tempo um comentário numa rede social que falava sobre a Europa e o referendo.

Dizia um dos intervenientes a dado passo: “em momentos de crise, esses referendos são extremamente perigosos…”. Pois eu entendo o contrário; É precisamente em momentos de crise que é preciso resolver problemas.

Ao longo dos últimos dez anos, a União Europeia caminhou rumo a formação de um estado federal, agrupando os estados dantes plenamente soberanos sem consultar ninguém e sem dar margem de decisão às populações. Seria um problema grave por si mas torna-se ainda mais grave porque agora estamos numa crise que, em parte, não tem a ver connosco.

As dívidas pagam-se mas para isso é preciso que nos deixem produzir, ter uma economia forte e cortar nas importações, coisa que não convém ao ideal europeu de mercado unido, aberto e livre. Um mercado tão liberalizado assim só serve para reduzir à escravatura países como o nosso, cujo tecido empresarial é frágil.

Agora estamos a pagar as favas dos erros dos outros juntamente com os nossos e “atados” a uma União Europeia que nos passa a vida a “cortar as asas”. Uma união indesejável, a qual não foi aprovada popularmente nas urnas nem no sentir da nação. Se isso é perigoso para alguns, ou para o projecto europeu, é problema dos europeístas que andaram anos a camuflar os problemas debaixo do tapete até que o monte se tornou tão grande que todos tropeçaram nele.

E mais digo: deixar para mais tarde a elaboração de um referendo à União Europeia será muito mais perigoso do que fazê-lo já, pois já se notou a capacidade dos organismos europeus em adiar e deixar avolumar problemas ad aeternum. Sem a legitimidade democrática que só um referendo assim pode dar, o projecto europeu será um ultimato tão violento quanto o de 1890, ou o famigerado Tratado de Versalhes (tão falado nestes últimos meses em que a funesta Primeira Guerra Mundial é evocada pelo seu centenário). Não se pode confiar em gente assim nem se podem adiar para sempre as decisões mais custosas.

Pode vir a ser custoso para Portugal separar-se da União Europeia mas, se for a vontade do povo, que se faça. Podemos vir a fazer sacrifícios ainda maiores do que os actuais, mas pelo menos vai ser por nós e pelo nosso país, e não pelos outros.

Até a Igreja está a ser alvo de radicais mudanças com este novo papa. Portanto, deixem o povo falar de sua justiça, hoje, não daqui a vinte anos quando não houver país para salvar deste atoleiro.

E respeitem a soberania de um povo que é independente há quase novecentos anos!

Façam um referendo imediatamente! Já!

Sergio Vieira de Carvalho

Sergio Vieira de Carvalho

(Presidente do Centro Monárquico do Porto)

 

 

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