“Na democracia representativa quem não é representado não existe. Uma democracia representativa onde nem todos são representados não é democracia nenhuma.”

A água é de todos e não do PSD-CDS-PP!

A água não é só um bem essencial à vida. É um bem comum que cai do céu aos tropeções, num lado mais que noutros, mas, mesmo assim, é pertença de toda a humanidade e um direito de todo o ser humano e das espécies de vida. Pois, por isso, a gestão pública da água devia ser uma verdade insofismável.

O facto é que os negócios falam mais alto. A nova ordem mundial quer-se apropriar de todas as riquezas do planeta e, a água, tende a médio prazo, ser mais importante que a gasolina.

Portugal não escapa à regra, e os governos democráticos e populares (quer da esquerda, quer da direita) criaram empresas privadas para gerirem um património público. Deste cabide de emprego nasceram as estruturas locais com contratos ultrajantes e penosos para as Câmaras Municipais que, na maioria dos casos, assinaram de cruz este suicídio coletivo.

Esta estranha circunstância reflete tanto a incompetência dos nossos políticos no governo como a inépcia de uma oposição que, de facto, é incapaz de marcar a agenda política com ideias e reivindicações que sejam relevantes e úteis. Sabe-se que, no nosso país, existe um forte lobbie de interesses em todos os sectores da vida pública nacional. Pois, a corrupção começa e termina nesses mesmos lobbies.

Mas, privatizar a água, privar as populações de a ela terem acesso, não é só crime patológico, é uma descarada falta de humanidade e bom senso político. Hoje a sociedade fratura-se na aceitação e no fechar de olhos às enormidades negociadas pelos políticos numa promiscuidade indecente!

Recentemente, contudo, a oposição, num dos raros momentos de lucidez, levou ao Parlamento uma iniciativa legislativa de cidadãos para a “proteção dos direitos individuais e comuns à água. Toda a oposição votou favoravelmente ao texto, em sessão plenária da Assembleia da República, exceção para a maioria PSD-CDS/PP que a chumbou. Segundo o texto apresentado, e pelo JN noticiado, “a água deve ser “propriedade pública” e a sua gestão tem de visar “o interesse coletivo, hierarquizando as utilizações e impedindo a privatização e a mercantilização dos serviços de águas, das infraestruturas públicas e do domínio público hídrico”.

Não se percebe, não se entende e nem se compreende tal atitude. Perdeu-se uma oportunidade de oiro em nome de interesses privados. O Governo de Passos Coelho ficará conhecido na história como o maior representante dos lobbies nacionais e estrangeiros que alguma vez existiu em Portugal.

Ficará também esta Aliança contra Portugal marcada pelo ódio e desprezo que Passos e Portas dedicam ao povo que governam.

Mas, o que mais me irrita, é saber que ainda existe gente que aplaude estes governantes, e arranjam todo e qualquer argumento para os desculparem deste descalabro.

Pobre pais que tem filhos assim!

* Sérgio Vieira de Carvalho, Colunista

Sérgio Vieira de Carvalho

 

 

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Paulino Fernandes
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