A desigualdade entre os portugueses aumenta de ano para ano, na mesma medida que cresce a corrupção. Quer isto dizer, então, que Portugal está a sair-se mal no combate à corrupção? E que Portugal é um país mais desigual do que corrupto?

 O facto é que muita gente confunde o sentido destas palavras, quando na realidade uma é consequência da outra. Ou seja, não existe corrupção que não leve à desigualdade e não existe desigualdade que não seja vítima da corrupção.

Em Portugal podemos apontar alguns exemplos: As famosas PPP, o BPN e o BES mais recentemente. Os desabrigados, a fome, a ausência de saúde e educação são algumas das consequências. Apesar dos dados deste governo apontarem noutro sentido, sejamos realistas, nem que seja por humildade académica, que, o crescimento do deficit, é ele mesmo fruto da política de corrupção a nível governamental e bancário, embora ambos se completem e não os possamos dissociar um do outro.

O Estado português não consegue combater o tráfico de influências que ele mesmo criou e alimentou desde Abril de 74. É por isso que este ou qualquer outro governo prefere recolher em impostos absurdos e através de uma carga fiscal excessiva, o que não é capaz de obter por via de cortes orçamentais, dentro da própria máquina governamental. Isto é, o Estado é incapaz de gerar receita normalmente. E, como não é, só lhe resta assaltar o cidadão. Esta é a verdade!

Mas o que mais me deixa incomodado é ter conhecimento da quantidade de institutos, observatórios e tutelas existentes. Não seria mais fácil acabar com estes cabides de emprego e avançar de vez com uma reforma estrutural séria? Claro que sim, se o governo quisesse governar. Mas não é essa a função deste governo. Portanto, é preciso ter algum cuidado com o falso discurso da corrupção. Esta nasceu de baixo para cima e instalou-se na sociedade legitimada pela falsa democracia nacional que, no fim de contas, é o regime que os portugueses sancionam nas urnas. Parece, pois, que a corrupção em Portugal se generalizou em todos os sectores da vida nacional. Desde o merceeiro da esquina, passando pelas grandes superfícies, pelos bancos, pelos profissionais liberais, etc. Será muito difícil procurar um sector de atividade que viva sem recurso à corrupção instalada.

E é muito fácil de verificarmos esta verdade.

Vejamos Paulo Portas: A questão dos submarinos já vem do tempo em que era o ministro da Defesa e, depois, dos Negócios Estrangeiros. Nunca foi posto em causa. Desapareceram documentos vitais para a investigação sobre este caso. Ninguém se importou.  E criou o seu próprio cargo dentro da máquina do estado: Vice Primeiro-ministro. E ainda há quem o idolatre. Somos corruptos por natureza e inerência!

E a desigualdade aparece como vítima da corrupção. O fosso entre ricos e pobres é cada vez maior. Se estivermos atentos, verificamos que em Portugal, o número de milionários cresceu nos últimos anos de crise. Essa realidade é a que fica. E, não é ela mesmo, uma consequência da corrupção?

* Sérgio Vieira de Carvalho, Colunista Especializado

Sérgio Vieira de Carvalho

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Paulino Fernandes
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