Uma nova consciência política

Não creio que ainda agora alguém tenha dúvidas acerca da tragédia para onde arremessaram Portugal, é um tempo mesquinho e cheio daquela “apagada e vil tristeza” a que se referia Camões; sentimos isso nos actos eleitorais, nas discursatas dos dirigentes, nos gestos do poder político e nas atitudes dos responsáveis, isto é, no comportamento público dos membros da classe política.

Os politiqueiros de serviço procuram a todo o custo banir da memória colectiva os factos e realidades de que o povo português foi autor, colaborador e testemunha. E procedem assim, calculadamente, porque sabem que as suas próprias actuações e obras se saldaram por clamorosos desastres e se reduzem à verborreia das parlengas e a programas de antemão condenados ao fracasso. E não têm dúvidas de que nada de positivo e palpável fizeram ou ergueram, durante décadas que levam no poder, que possa fazer sombra à obra realizada, em igual período de tempo, por um outro regime cujos dirigentes tiveram de enfrentar uma situação de saque generalizado e de ruína progressiva, enquanto os de agora herdaram a tal “pesada herança” com a qual poderiam ter feito obra decente sem ter conduzido o nosso País ao actual estado de miséria em que se encontra.

Mas a ambição desmedida pelo uso do poder e a manipulação a que os capatazes partidários sujeitam as diversas facções não consentem juízos correctos nem deixam ver que se condenam a si próprios. Com efeito, a obra que produziram, a ineficácia dos seus programas, a inoperância das leis promulgadas e a degradação continuada da máquina administrativa e da economia nacional, atestam amplamente a sua mediocridade, incompetência e fatuidade; vazios como são, eles vão estoirando uns após os outros tal como sucede com as bolas de sabão.

Os que se tinham fiado nos doutoraços em habilidades políticas, ou na tropa de aquário e aviário, ou ainda nos vendedores de banha da cobra, espantam-se agora de ver o nosso Portugal, com quase nove séculos de existência, ser tratado e referido como o país dos corruptos e incapazes, dos incompetentes que não sabem governar e que não conseguem viver sem a ajuda externa — para isso entregaram de bandeja a soberania nacional —; mas são eles os grandes responsáveis…

Será prenúncio de redenção nacional se tirarmos dos factos a lição que se impõe e, chamados a intervir, soubermos escolher gente séria que perfilhe um outro caminho, isto é, portugueses de alma e coração, portugueses inteiros de corpo e alma; se soubermos varrer dos vários níveis do poder político os oportunistas, os trafulhas e os parasitas que envergonharam o País e vivem a modos dos nababos árabes ou dos sobas africanos, enquanto vastas parcelas da Nação se arrastam penosamente numa situação de pobreza.

Em boa verdade, Portugal nunca foi isto onde agora tristemente vivemos…

luis.henriques2014@gmail.com

Luis Henriques

 

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Paulino Fernandes
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