Passos Coelho ficará para Portugal como um touro á solto dentro de uma loja de finos cristais. A incompetência, a falta de sentido de Estado, a falta de sensibilidade social, o excesso de despesismo e o clientelismo, entre tantos outros, fazem com que este governo tenha deixado de ser há muito um caso político discutível no Parlamento para se tornar num caso de polícia. Tramaram tudo: A saúde, a educação, os transportes, as reformas, os salários, as pescas, a indústria e a agricultura, as empresas e os trabalhadores. O que cresceu com este governo? Eu digo: O desemprego, a fome, a miséria e a corrupção.
E o que é ainda pior, tudo isto perante o beneplácito daquele que se intitula o mais alto dignatário da nação. Não é de hoje e não nos devemos espantar.
Tudo o que o PSD toca, murcha, seca e mirra. Desde o desaparecimento de Sá carneiro, em 4 de Dezembro de 1980, que este partido foi assaltado por marginais da política e nunca mais se reencontrou com a sua história, e muito menos com os seus princípios ideológicos.
Devo dizer, no entanto, que a social-democracia como via para o socialismo não é, entre nós, e muito menos nos tempos atuais, consensual, pese o facto de já ninguém saber ao certo qual a via ideológica do PSD. Observe-se, porém, que, na perspetiva dos programas políticos e da sua prática corrente em Portugal, são na maioria das vezes supérfluas estas interpretações ideológicas, sobretudo quando os próprios partidos políticos estão desvirtuados do que deveriam ser os seus princípios.
De facto existe um abismo profundo entre a teoria e a prática partidária. Alguém no seu bom senso ainda acredita que o CDS seja um partido democrata cristão ou que o BE seja da esquerda radical? E que o PCP não tenha arrumado a maioria da sua doutrina no fundo do porão?
Os partidos descobriram um novo filão que esteve sempre presente mas usado em suaves doses terapêuticas: A demagogia e a mentira aberta.
Para quê grandes lutas eleitorais, grandes debates na comunicação social e perda de tempo a percorrer a realidade nacional? É muito mais simples prometer, ganhar e não cumprir! E para ganhar uma eleição basta ter os votos dos familiares, amigos, conhecidos e militantes do Partido.
Em Portugal a democracia funciona assim. Por tal, é por culpa do povo que somos, que homens como Cavaco Silva, Durão Barroso, José Sócrates, Paulo Portas e Passos Coelho, existem. É culpa de quem lá vai depositar o voto no clube de futebol, e não no futuro do seu País.
A falta de exigência do povo que sustenta este sistema tem sido uma das causas do desmoronar, não da democracia, mas da falta dela. Se não se é exigente com quem nos governa, se não é exigida seriedade, competência e rigor público, este pode facilmente ultrapassar as barreiras ideológicas e o sentido de Estado.
E o resultado está à vista. Recordo a célebre frase de Saramago: “Portugal não tem Partidos de Direita, de Esquerda de nada, tem um bando de salafrários que se reúnem para roubar juntos”.
O PSD tinha tudo para dar certo.
O apagão de Camarate foi o apagão da social-democracia em Portugal. O último que feche a porta!

* Sérgio Vieira de Carvalho, Colunista do Jornal Povo de Portugal

Sérgio Vieira de Carvalho

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Paulino Fernandes
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