A maior abstenção de sempre em eleições legislativas, marcou o dia cinzento e chuvoso de 4 de Outubro, em que os portugueses descréditos e desconfiados acorreram às urnas de voto, para que melhores dias resultassem desta Via-Sacra que já tem 40 anos de martírio, para nos redimir de alguma má orientação que temos dado à “pedra basilar de uma democracia” que é o direito a votar.

Para além da brutal abstenção, mais uma vez os portugueses provaram que são um povo com a mais baixa cultura democrática da Europa; pois teimam em colocar o chicote nas mãos daqueles que sem um mínimo de pudor e escrúpulos lhes tem dado com ele.

O PS foi castigado porque sempre esteve conivente com a dívida que atirou Portugal para o subdesenvolvimento; não conseguindo o seu líder um discurso que o descolasse das políticas que levaram aos caminhos da emigração e da pobreza, do subdesenvolvimento e do atraso.

Quando A. Costa depois de conhecidos os resultados veio tardiamente fazer o “discurso da derrota”, tentando habilmente transformar esta em vitória, pensei que se iria demitir o que na minha opinião deveria ter feito; mas esqueceu como chegou a Secretario Geral do PS, acusando A. J. Seguro de ter “pouca estaleca” para o cargo.

Os homens valem o que valem, e a ambição deixa muitas vezes a descoberto o verdadeiro valor e vulnerabilidades de cada um de nós; é que nas atuais circunstâncias ninguém tem a varinha mágica para nos levar a “Bom Porto” sem pesados sacrifícios, para os já torturados pobres e classe média portuguesa, que foi a mais penalizada com a crise. Portugal está mais uma vez adiado, e começam a surgir motivos de preocupação acrescida; com dois partidos radicais a alimentarem-se da pouca cultura política e da pobreza de um povo que está quase a perder a esperança de melhores dias; e o que aí vem, é uma incógnita de difícil previsão.

Uma coisa é certa, a coligação ganhou as eleições e por isso deve governar; o PS apostou numa maioria absoluta com o Partido fragmentado, o que revela que a situação foi muito mal avaliada pelo seu líder; pelo que deve dialogar com os vencedores, e não tentar transformar uma derrota em vitória; porque foram eles socialistas que perderam as eleições e não a coligação.

Quanto ao BE e PCP falam em políticas alternativas de esquerda; seria bom que explicassem aos portugueses o que “isso é”, porque recentemente foi com essa promessa que levou a Grécia ao descalabro e ao volte face de Alexis Tsipras e do seu partido o Syriza.

As promessas são fácies de fazer, eu também já fiz algumas que depois não consegui cumprir; os erros pagam-se, e só têm um lado positivo que é a lição.

A. Costa também vai pagar os erros dele; já perdeu a C M Lisboa porque cedeu o lugar a Fernando Medina, e em breve deixará de ser o Secretario geral do PS, porque já se ouvem vozes nesse sentido; e nunca como tudo indica, será primeiro-Ministro deste país.

* Joaquim Vitorino Blogger

Nota da Redacção

Composição da Assembleia da República

1º PSD……..86 Deputados

2º PS………..85       ”

3º BE………..19       ”

4º CDS/PP..18       ”

5ª PCP/PEV.17      ”

6º PAN…………1      ”

Faltam eleger 4 Deputados pelos Círculos da Europa e Resto do Mundo.

Mesa de Voto na Vermelha

Mesa de Voto na Vermelha

* Joaquim Vitorino

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Paulino Fernandes
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