Situação grave em França

.Aviões já estão a ser abastecidos no estrangeiro

Depois das refinarias, o protesto contra a lei laboral chegou às centrais nucleares e transportes. E nenhuma das partes se mostra disposta a recuar

 “Vamos impor o nosso ponto de vista até paralisarmos a economia do país”, dizia ontem à “Euronews” um dos trabalhadores dos caminhos-de-ferro (SNCF) que alargou para o setor dos transportes os protestos contra a nova lei laboral de França, que o próprio primeiro-ministro reconhece já terem conseguido deixar entre 20 a 30% das gasolineiras do país sem combustível.

A mobilização contra uma lei que François Hollande impôs por decreto por ser rejeitada por uma boa parte dos ‘seus’ deputados socialistas está a ser liderada pela maior central sindical do país, a CGT. Grupo que depois de paralisar as principais refinarias do país ao ponto de criar esta crise de combustíveis cumpriu a ameaça de levar as greves a outros setores vitais da economia francesa.

Ontem, as 19 centrais nucleares do país – responsáveis pela produção de 75% da eletricidade consumida em França – foram paralisadas pelos grevistas, que para já prometem não desligar os reatores, mas apenas reduzir a sua produção. Mas não foi só aí que o protesto chegou: comboios parados, voos cancelados, pontes e estradas bloqueadas – foi assim que a França respondeu à entrevista em que o primeiro-ministro Manuel Valls garantiu que o governo “não vai mudar de direção” na aplicação de uma lei que os críticos dizem facilitar despedimentos, promover os contratos precários e acabar com a universalidade da jornada semanal de 35 horas de trabalho.

Na entrevista televisiva, Manuel Valls sublinhou a “irresponsabilidade” da CGT e defendeu que serão os franceses “a sofrer com uma situação” que diz poder prejudicar gravemente a economia do país. Mas apesar de abrir a porta a “algumas modificações” à lei,

o PM garante que está “fora de questão” abdicar dos principais princípios da reforma. E promete continuar a retirada à força dos manifestantes que bloqueiam refinarias e centrais industriais – operação que na segunda-feira gerou cenas de violência entre manifestantes e polícia em Marselha.

E do outro lado não parece haver maior flexibilidade, pois a CGT não só promete não parar como apela à paralisação geral do país – algo que só não terá ocorrido até agora porque as restantes centrais sindicais do país dizem não concordar com o protesto.

Houve um apelo à greve e vamos fazer assembleias-gerais, como se faz em todas as empresas. Enquanto o governo se recusar a dialogar, há o risco de que a mobilização se amplifique”, diz o líder da CGT.

A crise em França

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Paulino Fernandes
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