Contas acima de 50.000 estiveram debaixo de fogo

Na maioria dos casos representam o pecúlio de toda uma família, fruto de dezenas de anos de poupanças e sofrimento; foi uma proposta sem fundamento, baseada em critérios miserabilistas  porque a quantia em causa, nada tem a haver com opulência ou ostentação de riqueza de pessoas que a todo o custo tentam não viver à custa do trabalho dos outros, como muitos sistematicamente o fazem.

Esta tentativa falhada de um dos partidos que suporta o governo, tinha como objetivo pressionar o primeiro-ministro a medidas impensáveis, num país que tem que recuperar urgentemente a sua economia; para poder dar melhores condições àqueles, que lutam e trabalham por um Portugal mais justo na distribuição de rendimentos.

Será este o único caminho para poder ajudar muitos dos que necessitam, e também muitos outros que a proponente da medida defende; porque sabe poder sempre contar com os seus votos.

Pensar que uma família na posse de 50 000 euros que é o fruto de uma vida de trabalho deveria ser investigada, foi uma tentativa para devassar as vidas dos portugueses;  não passando de ventos sem rumo que estão a varrer o nosso país, com alvos e destinatários preferenciais; que são a quase extinta classe média trabalhadora que muito à custa de grandes sacrifícios e privações, foram poupando para deixar algum conforto aos seus familiares, para que estes não caiam na mendicidade, que levou a maioria dos portugueses à pobreza em alguns casos extrema.

Por ironia, é esta faixa dos mais pobres que revoltados levaram ao poder os proponentes da caça ao património virtual da classe média; porque essa apregoada riqueza está toda ela absorvida no endividamento; onde muito desse património está sobrevalorizado, em alguns casos mais de 300% para pagamento de impostos.

Estas medidas de “caça tributária” estão a varrer o país de injustiça e nunca vai atingir o verdadeiro alvo; que são precisamente aqueles, que têm o património dissimulado em aplicações acionistas, e volumosas contas bancárias no exterior.

Os partidos proponentes destas medidas, iriam tirar grandes dividendos eleitorais à custa das mesmas; porque são direcionadas para um eleitorado, que já perdeu a esperança, de alguma vez voltar a recompor as suas vidas; sendo este um sistema simples e eficaz na captação de votos, como os portugueses minimamente atentos já terão compreendido.

As Fundações que servem para manter muitas das elites ativas, e que custam centenas de milhões aos contribuintes, é que deveriam ser uma preocupação de quem disputa a área de voto, com o outro parceiro que apoia este governo.

Esta proposta de lei retirou o PR da cómoda posição, ao ser obrigado a pronunciar-se, dando assim “uma benesse de descanso” aos partidos da direita e da classe média produtiva, que não quer ver as suas vidas devassadas por aqueles que em muitos casos, vivem à conta dos que trabalham neste país. As subvenções vitalícias “distribuídas” a quem exerceu cargos públicos, e que não precisam delas para sobreviver, porque são cumulativas com outros rendimentos e reformas, e as Fundações que receberam à margem da lei mais de 142 milhões de euros num país pobre como é Portugal, que tem a economia quase estagnada a que se junta uma monstruosa dívida pública, é que são preocupantes; e deviam merecer o empenho de quem se diz defensor dos trabalhadores.

Muitas das nossas crianças têm vivido nos últimos anos, a infância e a adolescência em pobreza quase extrema; vítimas de uma geração de governantes que os condenou e a seus pais ao empobrecimento; a quem é preciso a todo o custo retirar do caudal de pobreza a que foram sentenciados.

Na atual situação todo o esforço dos portugueses deve ser direcionado para aqueles, que num futuro próximo terão que pagar a pesada fatura de uma dívida pública de que não tiraram qualquer benefício; é com eles que a sociedade se deve preocupar, e também com os nossos idosos que caíram na teia do empobrecimento.

É demagoga a ideia de que são as famílias que trabalharam  toda uma vida, comendo e vestindo mal e mantendo a mesma viatura de família durante dezenas de anos, os responsáveis pela pobreza deste país; que só consegue sair dela com a criação de riqueza, para que se possa ajudar quem verdadeiramente precisa.

António Guterres acaba de ser eleito como Secretario Geral das Nações Unidas o que muito nos orgulha; cujo lema é lutar pela paz no Mundo, e combater a pobreza e desigualdade onde quer que ela esteja; sendo tempo de Portugal refletir o porquê, de sermos o povo mais pobre e subdesenvolvido da Europa Ocidental.

Os portugueses sabem que se  não produzirem riqueza não será possível combater a pobreza, que conduz inexoravelmente à injustiça e à desigualdade; que são atualmente, os “selos da marca” deste país.

Joaquim Vitorino

Joaquim Vitorino

* Joaquim Vitorino, “Blogger” e Director – Adjunto do Jornal de Vila de Rei

 

The following two tabs change content below.
Paulino Fernandes
O BLOG Povo de Portugal é originado pelo título original de "Jornal Povo de Portugal". Nasceu em 19 de Novembro de 2007. Data em que nasceu o Jornal Povo de Portugal, editado durante vários anos em papel, foi percursor dos Jornais de Oleiros e de Vila de Rei. Percorreu a Europa, ligou os Portugueses espalhados pelo mundo com inegável sucesso. Vicissitudes várias, determinaram a suspensão que agora acaba, retomando as edições em online numa primeira fase como BLOG. Os insistentes incentivos de tantos Amigos espalhados pelo mundo, determinam a indispensabilidade de admitir esta medida que aqui anuncio com prazer e ambição. Voltaremos em breve a estar reunidos na defesa dos mesmos valores, dos mesmos objectivos, agora sob a designação de BLOG.