Portugal, querido Portugal.

Com a proximidade do Natal, este é um lamento de todos aqueles que tiveram que partir em busca de uma vida digna, para si e os seus descendentes; deixando sempre em aberto a esperança de um dia ainda que longínquo, poderem regressar à terra lusitana que os viu nascer.

Portugal foi sempre um país sonhador e aventureiro, mas também sedentário; onde o regresso às origens foi sempre uma constante do povo lusitano, que ainda é o detentor de uma das mais elevadas taxas de emigração.

Os portugueses foram sempre um povo tolerante e paciente; o que muitas vezes é um obstáculo à sua realização pessoal e coletiva porque não reagem, aos sacrifícios impostos por aqueles em que acreditaram que seriam, os melhores para encontrar as soluções para as suas aspirações pessoais e familiares; estando estas muito longe de serem correspondidas, não obstante terem existido condições mais que suficientes para que fossem concretizadas; do que resultou um frustrante vazio entre duas classes; a dominante que governa, e os governados que se vão afastando dos primeiros.

Portugal é um país com uma frágil economia, um fator que nos arrastou para uma pobreza prolongada; a nossa recuperação dependerá sempre da conjuntura internacional, e de uma resposta enérgica por parte de todos os portugueses o que não se tem verificado.

O nosso país sofreu uma grande quebra produtiva, e esvaziou na emigração muitos dos cérebros, que nos vão deixando mais debilitados em capacidade para darmos a volta à situação que nos deixou fortemente dependentes do exterior; dificultando a recuperação económica, que é a única via para recuperarmos o atraso e a dignidade coletiva que em tempos já esteve no auge; o que levou os portugueses por duas vezes e durante décadas, a serem o povo mais rico do Mundo.

Os últimos anos foram repletos de acontecimentos negativos para os portugueses; o que lhes reserva todo o direito de colocarem em dúvida, todos os autores das promessas que lhes foram feitas e que nunca foram cumpridas.

Portugal adquiriu em tempos o estatuto de país de grandes Navegadores, e os portugueses de corajosos guardiões da sua independência; mas neste momento atravessam, uma crise de “rumo coletivo” com a política económica do país, a ser ajustada à ideologia de quem governa.

Os olhos do Mundo estão postos em Portugal porque não compreendem o porquê dos portugueses, deixarem cair em poucos anos a sua Nação sem reagirem.

No passado enfrentámos ocupações e guerras impostas, e lutámos nos cinco continentes.

Hoje assumimos uma posição “dócil” para com aqueles, que contribuíram mesmo que alguns involuntariamente para a nossa queda coletiva, o que constitui a maior falta de coragem desde a “Fundação do Reino”; e que as futuras gerações com toda a certeza não nos vão perdoar.

A língua portuguesa é a quinta mais falada em todo o mundo, sendo das primeiras com a maior cobertura global onde é ensinada em todos os cantos do planeta; o que só por si afirma, a nossa Universalidade como um povo.

Nunca será de mais realçar, o legado cultural e patrimonial que nos deixaram os “Grandes Vultos do Nosso Passado”; que os portugueses de hoje não conseguem preservar.

Portugal deu no passado um grande contributo ao Mundo, e hoje ainda tem portugueses colocados nas mais altas instâncias Mundiais; e atrevo-me a dizer, que foi em tempos a maior das seis Nações que Globalizaram o Planeta; enquanto o Portugal de hoje está a ser alienado aos poucos; já pouco restando com que nos possamos identificar.

Muitos dos nossos novos emigrantes, ainda não dispõem de recursos para virem passar o Natal com os familiares; a todos eles, um abraço de solidariedade.

À memória de D. Afonso Henriques, D. João I, D. Nuno Álvares Pereira, D. João II, Infante D. Henrique, D. Manuel I, D. João IV, Vasco da Gama, Pedro Alvares Cabral, Bartolomeu Dias e Luís de Camões entre tantos outros, que fizeram de Portugal uma Grande Nação; é o motivo pela qual, temos que lutar para a levantar Portugal de novo; as futuras gerações, não esperam menos de nós.

Joaquim Vitorino

Joaquim Vitorino

  • Joaquim Vitorino

 * Com a devida vénia ao Jornal de Vila de Rei

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Paulino Fernandes
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