A Geração Perdida

Os últimos 25 anos, são de longe os que mais negativamente marcaram o nosso país; foi uma geração que ainda está a ser avaliada, mas que vai ficar para a história como a pior de sempre.

Não me refiro aos que nasceram neste período; mas sim a todos aqueles, que com raras exceções tiveram responsabilidades governativas no estado da calamidade social e económica em que Portugal se encontra. 

Pobres em Portugal

Pobres em Portugal

Não estão isentos de culpa, quem durante todos estes anos os legitimou no poder; com a entrega incondicional e “cega” do seu voto.

Independentemente da crise que penalizou as economias ocidentais, Portugal teve todas as condições para ter saído dela como nenhum outro país; pois o que recebemos da comunidade, e o que contribuímos é quase 300% a nosso favor; foram mais de 9 milhões de euros diários, que durante mais de 25 anos entraram no nosso país, e que foram gastos em projetos de arrojada megalomania e risco, como autoestradas e estádios de futebol que num curto espaço de tempo, se tornaram em manifesta inutilidade; e não se fez um único investimento a pensar no futuro a longo prazo.

Cheguei a pensar que o Alqueva (maior lago artificial da Europa) seria a menina dos nossos olhos; mas está praticamente desaproveitado.

É inacreditável que não obstante este rio de dinheiro a desaguar em Portugal desde a nossa adesão à comunidade Europeia, Portugal ainda contraiu uma dívida, que está próxima dos 142% do PIB; só no último ano, aumentou em 9500 milhões.

Os credores que nos deram assistência financeira já compreenderam, que Portugal jamais terá condições de poder liquidar este “monstro”; e para aceitarmos o perdão de uma parte, o país terá que se submeter à condição de protetorado.

Os jovens portugueses não se devem sentir culpados pela caótica situação em que o país se encontra, em que muitas das suas famílias foram severamente afetadas; eles são as principais vítimas, e a curto e longo prazo só os espera a emigração.

Culpamos insistentemente aqueles a quem pedimos ajuda de todos os males que nos afetam; quando os verdadeiros responsáveis, estão há muito tempo identificados.

Com uma pequena exceção de 15% da classe média, que dentro de pouco tempo deixará de existir, os portugueses deixaram-se levar durante anos por promessas, que despudoradamente os empurraram para o empobrecimento coletivo.

A gestão do Estado português e dos dinheiros públicos, foi durante anos gerida como se um negócio de família se tratasse; criando dependências e hábitos, que dificilmente alguns políticos honestos por mais que tentem, nunca poderão alterar o estado de calamidade em que nos deixaram cair.

Em alguns casos, os interesses instalados não serão de fácil mudança; porque entraram há muito num ciclo de difícil retrocesso.

Não me parece que alguma razão nos assista, ao acusarmos alguns dos nossos parceiros europeus; só porque eles nunca permitiram que os políticos tratassem o seu país, como aqui trataram o nosso; evidentemente que quem nos empresta dinheiro, tenta salvaguardar os seus interesses; impondo juros elevadíssimos, para compreendermos que a vida não é fácil; e para nos refrear o recurso à dívida para manter privilégios que povos ricos da Europa não têm.

Os erros pagam-se por quem os comete, e muito especificamente por aqueles que os deixaram cometer; porque são estes últimos e as gerações futuras, que vão pagar a pesada fatura até ao resto das suas vidas.

A confiança nas atuais Instituições políticas foi seriamente abalada; porque já tiveram a oportunidade de dizer aos portugueses o que vão decidir quanto à dívida pública, que está a estrangular a economia e o crescimento do país, e a levar Portugal à pobreza sem retorno; onde os mais penalizados serão as crianças e os idosos mais pobres e carenciados.

A questão terá que ser colocada e seriamente debatida em referendo, onde se apresentam três opções; o perdão de parte da dívida como aconteceu com a Grécia, negociar os juros anuais para 1/5 dos valores atuais que são (8500 milhões), com alongamento do prazo para suavizar o impacto na nossa economia, ou declarar a incapacidade de a podermos pagar.

Se for considerada a última opção, daqui por um ano Portugal estará numa situação dramática; devastado pela fome e insegurança, e não haverá dinheiro para pagar as magras reformas e importar alguns bens de consumo de necessidade primária; disso ninguém tenha dúvida.

Portugal está numa situação de vulnerabilidade e dependência da dívida pública; por isso é preciso ter cuidado quando se toca no assunto; com responsabilidade acrescida para os partidos que suportam este governo.

...a multidão

…a multidão

Portugal encontra-se em risco elevado, empobrecido na vertente social e humana; o Presidente da República tem a legitimidade e o dever, de defender esta Nação que a todos pertence.

As dívidas são para serem pagas; podem ser perdoadas ou negociadas, mas nunca renunciadas.

Joaquim Vitorino

Joaquim Vitorino

* Joaquim Vitorino, Jornalista, Director – Adjunto do Jornal de Vila de Rei

 

The following two tabs change content below.
Paulino Fernandes
O BLOG Povo de Portugal é originado pelo título original de "Jornal Povo de Portugal". Nasceu em 19 de Novembro de 2007. Data em que nasceu o Jornal Povo de Portugal, editado durante vários anos em papel, foi percursor dos Jornais de Oleiros e de Vila de Rei. Percorreu a Europa, ligou os Portugueses espalhados pelo mundo com inegável sucesso. Vicissitudes várias, determinaram a suspensão que agora acaba, retomando as edições em online numa primeira fase como BLOG. Os insistentes incentivos de tantos Amigos espalhados pelo mundo, determinam a indispensabilidade de admitir esta medida que aqui anuncio com prazer e ambição. Voltaremos em breve a estar reunidos na defesa dos mesmos valores, dos mesmos objectivos, agora sob a designação de BLOG.