CARTA ABERTA À DRA. ISABEL MAGALHÃES

Fiquei surpreendido com o teor da sua entrevista publicada no “Costa do Sol” de 8 deste mês, na parte em que caracteriza a acção do actual e dos dois Presidentes de Câmara que o precederam.

Não posso deixar de manifestar a minha perplexidade e indignação face às referências que tece à minha presidência e à do meu antecessor.

Neste último caso, depois de tecer elogios ao estilo pessoal de governação de José Luís Judas, imputa indevidamente a este “um trabalho importantíssimo, como por exemplo na erradicação das barracas, na criação … de centros de saúde”. Esqueceu o mérito inquestionável do meu antecessor na reabilitação das áreas urbanas de génese ilegal e, por outro lado, a estratégia criticável que desenvolveu no licenciamento urbanístico.

Ora, Isabel Magalhães sabe bem que a erradicação completa das barracas do nosso concelho foi consumada na minha presidência, nomeadamente os bairros do Fim-do-Mundo e das Marianas, com realojamento dos residentes (694 famílias num total de 1.917 pessoas).

Sabe também que foi na minha presidência que se procedeu à construção de três novos Centros de Saúde (Alcabideche, S. João do Estoril e S. Domingos de Rana), para além do novo Hospital de Cascais.

Referindo-se à minha presidência, refere um lado menos próximo das pessoas, que era menos popular, com uma grande incapacidade de decisão” e que “ficámos numa espécie de marasmo!

Finaliza com a simpática referência que era uma pessoa séria, o que agradeço.

Sobre o lado menos próximo das pessoas e a baixa popularidade, limito-me a recordar que os cascalenses me concederam três maiorias absolutas superiores a 51%, facto que julgo desmentir aquelas considerações, tanto mais que os eleitores optam essencialmente não em função de programas e equipas, mas sim das personalidades que se apresentam às eleições municipais.

Quanto às alegadas “indecisão e marasmo”, nada melhor para desmentir tão extraordinárias afirmações do que recordar as principais realizações conseguidas nos meus mandatos.

Assim, sem referir os múltiplos programas e iniciativas que foram desenvolvidos nas diversas áreas:

  • Para além das já referida construção do novo Hospital e de três Centros de Saúde, apoio à construção da sede da Associação de Alzheimer, da Associação Ser+ (prevenção e tratamento da SIDA), da Associação de Espondilite Anquilosante, da Associação de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental e do Centro de Apoio ao Desenvolvimento Infantil;
  • Aquisição da Casa de S. Maria e da Casa Sommer; cedência à Câmara da Cidadela de Cascais, dos Fortes do Guincho, de S. João e de S. Pedro da Cadaveira; requalificação do Farol de S. Marta, do Forte de Oitavos, do Chalet Madalena (Conservatório de Cascais), do Museu da Música-Casa Verdades de Faria, das Capelas do Livramento e de Nª Sª das Neves e do Marégrafo de Cascais;
  • Construção do Museu Paula Rego com cedência ao município de cerca de 500 desenhos e gravuras da pintora;
  • Construção de novas escolas em Areias, Alto da Peça, Sassoeiros e Areia (jardim de infância e ensino básico), Amoreira, Pai do Vento, Rebelva e Lombos (ensino básico); requalificação das escolas da Galiza, Tires 2 e 3, Parede 4, Manique, Alcoitão 3, Abóboda 1, Murtal 2, Bicesse, S. João, Alcabideche 2 e Jorge Letria (Cascais); instalação 5 Ludotecas e 23 Bibliotecas escolares;
  • Construção do complexo de Piscinas da Abóboda, dos pavilhões desportivos do Dramático de Cascais e dos Lombos, da sede do Clube Naval, dos pavilhões de ténis do Estoril e de Carcavelos, dos skate park de Massapés e da Torre, de 14 recintos desportivos de bairro e do arrelvamento de 9 campos de futebol; requalificação do Hipódromo; apoio à construção dos pavilhões desportivos de Sassoeiros, Tires, Vinhais, das pistas simplificadas de atletismo de Alcabideche e de Manique, das piscinas do Clube Nacional de Ginástica e dos Bombeiros de Cascais;
  • Apoio à construção das sedes da Rota Jovem, dos Escuteiros de Sassoeiros, de S. Miguel das Encostas e do Corpo Nacional de Escutas (S. Pedro); construção de 12 novos parques infantis e abertura de 5 novas lojas “Geração C”;
  • Apoio à construção, reabilitação e funcionamento de diversos equipamentos sociais: Associação Jerónimo Usera, Centro de Reabilitação e Integração de Deficientes, Casa Mimar, Associação de Beneficência Luso-Alemã, Centro de Convívio de Vinhais, Centro de Convívio “Amigos da Paz”, Centro de Convívio da Torre, Centro de Convívio do Murtal, Lar da Misericórdia (Alcoitão), Casa dos Professores, Residência Sénior da Cruz Vermelha e Lar do Penedo, dos centros sociais das Igrejas da Boa Nova, do Bairro Gulbenkian, de Sassoeiros, de Janes-Malveira e de Santana;
  • Criação de 6 creches familiares (Adroana, Brejos, Mata da Torre, Matos Cheirinhos, Tires e Zambujal) e apoio à construção ou reabilitação e funcionamento das creches da Junta de Freguesia de Cascais (Pampilheira), Fundação “O Século”, Cooperativa Ideia, Centro Comunitário de Carcavelos e Misericórdia de Cascais (Bicesse);
  • Redução progressiva do número de fogos licenciados anualmente (2.821 no ano que antecedeu a minha posse e apenas 375 em 2001, último ano da minha presidência);
  • Construção do Centro Ambiental da Pedra do Sal, dos passeios marítimos de S. Pedro e do Guincho, dos parques de Polima, das Penhas da Marmeleira, da Quinta de Rana e da Bicuda; requalificação do Paredão, dos acessos e envolventes das praias de Carcavelos, da Parede, de S. Pedro e de S. João, dos parques Palmela, Quinta da Alagoa, Ribeira dos Mochos, Bairros Irene e Maria, Praça da Torre, Romanzeiras e Buzano;
  • Construção da passagem inferior de S. Pedro, da variante à Abuxarda, dos acessos ao Hospital, da estrada Alcoitão-Fisgas, da circular de Manique, da estrada Birre-Areia, da variante à Mata da Torre, entre muitas outras obras de requalificação; construção dos novos estacionamentos da Cidadela, do Parque Marechal Carmona e do Parque Palmela; requalificação das estações de S. Pedro e S. João, bem como do terminal rodoviário de Cascais; alargamento da A5 e construção da A16;
  • Resgate do Centro de Congressos do Estoril e construção por privados das Termas do Estoril, dos Hotéis Miragem, Oitavos, Vila Itália, Intercontinental e Pestana-Cidadela;
  • Instalação da DNA Cascais, requalificação do Mercado de Cascais e construção do Mercado da Adroana; abertura da Loja Cascais e instalação do Julgado de Paz;
  • Para além dos eventos tradicionais: Conferências do Estoril, Estoril Film Fest, Estoril Fashion Art, Estoril Air Show, Laureus Awards, Cool Jazz Festival, Estoril Jazz, Festival de Música da Costa do Estoril, Moto GP, World Tour Car, Billabong Surf, Quebramar-Chrysler; Campeonato do Mundo de Vela Olímpica e de Vela Adaptada, Open de Golfe, Festival do Puro Sangue Lusitano e Concurso de Saltos Internacionais.

Perante este elenco parcial  das principais obras e iniciativas desenvolvidas nos meus mandatos, a classificação de “marasmo” e de “incapacidade de decisão”, que Isabel Magalhães atribui a esse período em que assumi a presidência da Câmara, não deixa de ser injusto e absurdo!

Votei Isabel Magalhães nas eleições precedentes, mas fiquei frustrado com a sua prestação desde o início do mandato.

Não estranho que não se apresente novamente aos eleitores, não tanto pelas razões que apresentou publicamente para justificar a decisão, mas porque sabe que desprezou os apoiantes e eleitores enquanto Vereadora e líder do movimento SerCascais.

Simplesmente saiu de cena: não formalizou o movimento, nunca reuniu os apoiantes (a não ser numa festa dos chapéus), o site do movimento estagnou no dia das eleições, poucas vezes deu conta das actividades desenvolvidas e das posições assumidas por si e pelos demais eleitos da candidatura que liderou.

Como honrosa excepção saliento a edição em livro de um interessante conjunto de propostas para a revisão do Plano Director de Cascais, o qual não se encontra à venda nas livrarias e teve uma fraca distribuição.

Veja o contraste com a acção da candidatura independente de Marco Almeida em Sintra: formalizou uma Associação que organizou múltiplas actividades e prestou contas aos militantes, além de que diariamente, através das novas tecnologias e das redes sociais, divulga a acção política que desenvolve.

Cordialmente,

António d’ Orey Capucho

António Capucho

António Capucho

Nota do Director: A carta do Dr António Capucho refere-se à entrevistada Vereadora da Câmara de Cascais, Isabel de Magalhães em 8 de Março ao nosso colega Costa do Sol a quem saudamos.

 

 

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Paulino Fernandes
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