As sombras da pobreza – Portugal e Grécia.

A Grécia foi atingida por uma terrível tragédia, que levantou uma onda de solidariedade internacional; foi uma situação muito semelhante à que Portugal viveu com os incêndios devastadores de 2017, que provocou um número de vítimas mortais e feridos quase equivalente. Em desfavor dos gregos, está o facto de terem descuidado o que aconteceu no nosso país, para lhes servir de prevenção o que infelizmente não aconteceu.

No calor dos acontecimentos, o ministro português da tutela anunciou no dia 24 estar a caminho da Grécia um contingente de especialistas para ajudar a Grécia no combate aos incêndios; todos os portugueses apoiaram a iniciativa só que no dia 25 ainda não tinham saído de Portugal, provavelmente à espera que os gregos oficializassem o pedido de ajuda o que não aconteceu; o que vem provar, que o que aconteceu em 2017 em Portugal foi precisamente repetido na Grécia; uma  total descoordenação dos meios ao dispor para combater a “tragédia” que neste caso, foi a já tradicional grega.

Ainda sobre os fogos de 2017 em Portugal, um membro do governo adiantou que não existia qualquer comparação de responsabilidade com o que se passou na Grécia; com esta afirmação, eu não concordo em absoluto porque todos os portugueses sabem bem o que se passou; não obstante a realidade dos acontecimentos, estejam na parte submersa do iceberg das responsabilidades.

Nada existe que mais evidencie a falta de charme, do que estarmos sempre a nivelar-nos acima daqueles que se encontram em pior situação que nós; como se sabe, só os gregos neste momento nos estão a fazer companhia; porque os outros países companheiros do quarteto da pobreza, que foram a (Roménia e Hungria)  já se descolaram do duo Portugal e Grécia.

Uma nova geração de esperteza, apoderou-se dos destinos dos nossos dois países; e temos que reconhecer, que não sendo dotados de grande inteligência, eles espremeram os neurónios ao limite, para convencerem os portugueses e gregos de que não existe alternativa de governo tanto lá como cá; e por mais que nos esforçamos para a encontrar, chegamos à conclusão de que não a temos mesmo.

Regressando ao nosso país, este é o grande dilema de momento que “encurrala” os portugueses que não sabem em que vão “apostar” no futuro o seu voto até porque; somos na Europa os mais ignorantes na análise política, que está implicitamente associada à nossa situação de precaridade social e política.

A verdade é que muitos dos que escolhemos ao longo dos tempos para nos representar, fizeram fortunas no desempenho de cargos públicos onde existem algumas raras exceções, que mais à frente deixarei alguns exemplos.

Muitos foram aqueles que se misturaram com as elites políticas, e criaram depois o estatuto de grandes empresários.

Chegaram ao topo, mas nunca a história os irá recordar como verdadeiros estadistas.

Portugal neste momento, é dos países mais pobres da Europa por várias razões; sendo a mais preocupante, a escassez de cérebros destas duas últimas gerações e provavelmente também da próxima, dado o fluxo emigratório que esvazia Portugal do melhor que um povo precisa que é a inteligência, mas também honestidade, a ética e moral nos cargos públicos.

Muita da nossa “massa encefálica” está a ser atirada para a emigração, por falta de condições de trabalho no seu próprio país; onde as perspetivas são nulas para os próximos 50 anos (duas gerações), porque a brutal dívida pública que Portugal contraiu, asfixiou definitivamente a nossa economia.

São 75 anos perdidos de difícil recuperação; porque o estado de pobreza em que os portugueses caíram, é inibidor de conseguirmos ultrapassar esta fase que é a pior de sempre; e pela primeira vez na nossa história não surgem evidências, de que dispomos de capacidade para superar esta grande queda que ditou o nosso atraso a todos os níveis.

O que no meio de tudo é surpreendente, é que ainda nos emprestem dinheiro mesmo sabendo que nunca o conseguiremos pagar, tendo um terrível custo para as gerações futuras, que irão cair na escravatura da dívida por centenas de anos.

Os portugueses são um povo, que se acomodou ao estatuto de pobres europeus; um triste legado para as nossas futuras gerações, que nos irão julgar implacavelmente.

Joaquim Vitorino, Jornalista e Blogger

  • Joaquim Vitorino

OBS: Aos nossos emigrantes; que dão em todo o Mundo a face, pelo seu belo país.

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Paulino Fernandes
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