Querida Lusitânia

“Estamos rodeados de aldrabões” (Ricardo Salgado)

Até quando?

Estas palavras do Dr. Ricardo Salgado, transcritas na capa do jornal i, confirmam uma frase que eu costumo citar e cujo autor foi o Dr. José Luís Saldanha Sanches (já falecido), na qual refere a ocupação do estado por bandos organizados.

E, o Dr. Ricardo Salgado sabe, melhor que ninguém do que está a falar.

Ele, que ao longo das últimas décadas, tem tido empregados seus em lugares ministeriais ou parlamentares, conhece bem os tais aldrabões, a maioria dos quais aparece publicamente transmitindo a falsa imagem de cidadãos acima de qualquer suspeita. Na realidade estão longe de o ser, conforme prova o extenso rol de acusações a detentores de cargos públicos, que tem sido divulgado recentemente e os casos mal explicados ou varridos, estrategicamente, para as brumas cinzentas do esquecimento. Não são, conforme o primeiro-ministro insinuou recentemente, parte de campanhas para vender jornais ou “share” de canais televisivos. São, infelizmente uma realidade que tem contribuído, impunemente, para o empobrecimento do país e para a situação actual das finanças públicas.

O “desabafo” do dr. Ricardo Salgado foi proferido a propósito da tristemente célebre negociata dos submarinos, cuja comissão de inquérito, como era de se esperar, apenas serviu para desresponsabilizar os responsáveis e para deixar sossegado(s) o(s) corrupto(s) envolvido(s) no mesmo. Pode ser que no âmbito da recém criada comissão de inquérito parlamentar ao caso BES, os trabalhos sejam conduzidos com maior seriedade e se destapem factos encobertos, relativos à compra dos submarinos

Aldrabões ou irresponsáveis são também aqueles que garantiram que a operação realizada no BES não teria custos para os contribuintes.

Afinal a ministra das finanças, assume agora que sim, que, conforme referi várias vezes nestas linhas, a Caixa Geral de Depósitos, ou seja, o estado, ou sejam, os contribuintes, podem ter perdas com o Novo Banco.

Se o banco for vendido abaixo dos 4,9 mil milhões nele injectados pelo fundo de resolução, uma parte dessa perda cairá sobre a CGD, que participa em cerca de 30% do fundo.

Disse ainda a ilustre criatura que a Caixa também está sujeita a ter um ganho (creio que ela ainda acredita no Pai Natal, veremos). Esta gente trata estes casos como se fossem jogos de azar.

Para terminar, uma nota relativa à vergonha nacional que tem sido a colocação dos professores.

A situação é caótica e prejudicial para todos; professores, alunos e pais. Além disso transmite aos jovens uma cultura de laxismo e de irresponsabilidade, com a qual ninguém parece preocupar-se.

Se tivesse um pingo de vergonha nas barbas, Crato já deveria ter saído há muito tempo. Dizem que o 1º ministro o tem segurado no lugar. É natural, é a solidariedade entre iguais, neste caso incompetentes

Azar mesmo e enorme, é o nosso, que termos de os sustentar e pagar as consequências dos seus erros.

Até breve

* António L. Graça, Colunista e Sub-Director do Jornal de Vila de Rei

António L. Graça

 

 

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