Capela de São Lourenço - Peral

Ainda se encontram no dicionário, mas quase que desapareceram do nosso vocabulário diário; a coragem e a virtude são das mais nobres palavras da língua portuguesa, que define a dignidade daqueles que no passado e durante as suas vidas as exerceram, e para quem nos nossos dias ainda não estão de todo perdidas.

Muitos dos acontecimentos que nos preocupam, estão muito ligados à falta de coragem e virtude daqueles para quem estes valores vão passando ao lado, e que constantemente os desvirtuam; estando na primeira linha, muitos que são detentores de cargos públicos e políticos. Uma conhecida figura pública em acensão, recentemente clamava por uma maioria absoluta, todos a querem como é evidente; para além de prometer um aumento do salário mínimo e mais umas quantas promessas, que não sabe como vai conseguir cumprir; pouco adiantou sobre o que faria se obtivesse uma maioria absoluta no parlamento.

Os portugueses certamente não se vão deixar enganar por cenários de maiorias; ou com promessas já gastas, e há muito tempo á espera de serem cumpridas.

Já começam a ver-se perfilar as mesmas figuras que ajudaram a levar à situação em que nos encontramos; e o país não pode suportar por muito mais tempo o “cerco” porque está com a resistência no ponto mais débil de sempre; e as provisões de “paciência” estão quase a esgotar-se, não havendo tempo útil para ensaiar táticas governativas; por isso não vão passar cheques em branco a promessas vagas, nem estão dispostos a alimentar ambições pessoais e acertos de contas, como é previsível dentro dos partidos e coligações sejam elas de direita, esquerda ou centro; que estão a minar um entendimento consensual que nos retire “deste tremendo lamaçal” de que a classe política portuguesa é a única responsável. Portugal tem que entrar num “novo ciclo de vida” ou perecerá como uma Nação verdadeiramente independente; tornando-se num apêndice subserviente a interesses, que não são o dos portugueses. Bernardo Gorjão Henriques nasceu na Quinta de São Lourenço no Peral – Cadaval a 15 de Fevereiro de 1786 e faleceu em Lisboa a 2 de Abril de 1854. Aos 8 anos de idade, Bernardo Gorjão entrou para o Colégio dos Nobres, e ali permaneceu até seguir para a Universidade de Coimbra, onde ainda estudante é armado Cavaleiro do Reino, tinha apenas ( 21 anos de idade ), Alvará de 20 de Junho de 1807. Terminados que foram os seus estudos, Bernardo Gorjão Henriques é nomeado Juiz de Fora em Abrantes, de onde mais tarde seguirá para superintendente das Alfândegas do Minho, até ser chamado para as Altas funções de Ministro dos Negócios do Reino no Governo do Marechal Saldanha; de onde transitou para ser o Presidente da Câmara de Deputados ( 1842 – !846 ).

Foi este Homem de Coragem e Virtude, que ficou famoso quando propôs nas Cortes Extraordinárias de 1837 a aprovação da Carta Constitucional datada de 1826, que esteve na origem de uma terrível guerra Civil. Conselheiro de Estado e Amigo da Rainha D. Maria II, Bernardo Gorjão Henriques recebeu a Ordem de Comendador da Grã Cruz de Vila Viçosa, mas terá recusado o Título de Barão proposto pela Rainha.

A Nação portuguesa está pobre, precisa de Patriotismo e Virtudes, não precisa de palavras vagas e vazias de conteúdo. O exemplo de Bernardo Gorjão Henriques é apenas um dos muitos que deram tudo em nome do seu país; a “Eles Devemos” o pedaço de terra que a todo custo temos que preservar; sendo em nome das suas memórias que jamais o podemos perder.

Portugal já não poderá ser comparado com um outro país da Europa, porque seria uma ofensa a quem nos referíssemos; nos últimos 10 anos, perdeu as poucas oportunidades que teve para se poder levantar de novo, e entrou em rota de colisão com o seu próprio futuro; uma tragédia que tem que ser invertida

* Joaquim Vitorino – Jornalista

Vermelha – Cadaval 

OBS: À Memória de Bernardo Gorjão Henriques; Peral 1786 – Lisboa 1852. ( fotos de Bernardo Gorjão Henriques, e a Capela de S. Lourenço onde Foi Batizado ).

 

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