A Grande Muralha Social

A insustentabilidade da segurança social no nosso país, tem que ser urgentemente encarada com realismo e sem “bravatas” vindas de qualquer quadrante político; é uma situação de enorme preocupação, que a curto prazo afetará todos os portugueses.

O inevitável corte nas reformas, é um tema que foi subtilmente abordado pela ministra Maria Luís Albuquerque mas entrou imediatamente em discussão; o mote está dado, e reveste-se de um enorme “melindre”.

Por conseguinte, merece uma reflexão séria e não deve ser explorada politicamente pela oposição; porque a garantia de uma reforma digna de acordo com a real contribuição de quem a usufrui, representa a “ Grande Muralha Social” que não pode ser demolida; sendo a pedra basilar de qualquer democracia (digna desse nome).

A sustentabilidades das reformas, está a ser assegurada com o recurso à dívida pública e pelos filhos e netos de quem as recebe, se no momento têm a “sorte” de ter trabalho; enquanto os seus descendentes e eles próprios não lhe terão acesso, se não for feito um urgente ajustamento.

É preciso não esquecermos, que muitos daqueles que recebem reformas de acordo com a contribuição que deram, estão a sustentar os filhos desempregados e os filhos destes, provocando um grande desequilíbrio financeiro nas famílias; correndo-se um sério risco de ao repor a justiça, a possam vir a agravar ainda mais; lançando na mendicidade milhões dos nossos futuros reformados, a que se juntam aqueles a quem não podem prestar ajuda como é o caso dos filhos e netos.

A situação é muito grave, e vai incidir a curto prazo no comportamento dos portugueses; cujo conceito de ser português ainda anda um pouco elevado; não obstante o estado da nossa economia e da educação não confundir com cultura, porque andamos há muito tempo afastados dela; e acima de tudo o nosso comportamento social familiar e de grupos, que coloca Portugal numa lista negra no topo da Europa que em nada nos abona.

Os últimos acontecimentos na sociedade portuguesa, tem saltado para fora das nossas fronteiras e não são casos esporádicos; não os vou mencionar, mas constituem uma verdadeira tragédia nacional.

Ainda assim, temos que reconhecer que existe uma contradição; os nossos emigrantes são a outra face de um Portugal bem diferente; disciplinados e trabalhadores, eles são em todo lado a nossa bandeira colectiva, que vai limpando as notícias menos boas deste país em desalinho.

Desde jogadores de futebol, cientistas espalhados pelas melhores Universidades de todo o Mundo, à frente de projectos ambiciosos em todas as áreas de investigação; Gestores e Banqueiros dos mais cobiçados, a altos cargos nas Instituições Internacionais, enchem de perplexidade os cidadãos de outros países que olham para aqueles que vivem “aqui no rectângulo” como um povo inculto, ignorante, malcriado, agressivo e muito violento; para além de sermos dos mais corruptos e pobres de toda a Europa. Não nos iludamos, somos o país com a mais baixa escolaridade de toda a Europa; o que se traduz em ignorância a todos os níveis.

Portugal abandonou a sua marca principal, que era reconhecida por sermos um país de bons costumes; não podemos argumentar que a causa é da nossa pobreza forçada, que vai sempre desaguar num pântano de agressividade e violência que será transmitida às próximas gerações, se não começarmos imediatamente a combate-la; sendo as escolas, o local apropriado para uma urgente terapia de choque. Portugal, tem que regressar à realidade; não podendo continuar a contrair dívida e alienar património para pagar reformas altíssimas a pessoas que já são milionárias; alguns foram beneficiados com cargos públicos onde fizeram fortunas; ou ainda, a continuação de pagamento de reformas a pessoas que nem contribuíram com 1/3 para o que recebem; a que se junta a posse de um elevado património pessoal e familiar.

Num Estado democrático e numa emergência como a nossa, a questão tem que ser colocada com toda a “crueza” mas com um elevado sentido de justiça; sem a qual, será o colapso da própria democracia em que o Estado social assenta.

Qualquer partido político que tente tirar dividendos desta “tragédia”, peca por pura demagogia; e está apostado na continuidade de um país virtual ao serviço dos seus interesses, contra a esmagadora maioria dos portugueses.

Esta deveria ser, a questão a debater nas próximas eleições; porque deixar passar mais 4 anos, pode ser o “funeral” da débil sustentabilidade do sistema social em Portugal.

Mexer em reformas que já se encontram nos níveis mínimos de sobrevivência, é lançar o país num caudal de pobreza inaceitável; que nos arrastará para graves consequências, onde o subdesenvolvimento levará o nosso país para a subserviência; o atraso e a pobreza endémica.

Maria Luís Albuquerque

Joaquim Vitorino  

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