Grécia, a Guardiã da Democracia Ocidental.

O “calote grego” é sem dúvida o maior de todos tempos, e deixa a descoberto inúmeras vulnerabilidades e assimetrias no funcionamento do BCE, que ao longo dos anos tem servido os ricos em detrimento dos pobres; embora tentem passar uma imagem bem diferente.

A prova são os altíssimos juros cobrados que em alguns casos como o grego chegaram a ultrapassar os 24%; o euro representa 25% das moedas em circulação no Mundo e no caso do seu colapso, o impacto seria devastador; porque arrastaria todas as outras moedas, onde o dólar seria a moeda mais fortemente penalizada.

Provavelmente, ainda é muito cedo para avaliar os efeitos nos países que integram o euro; mas nada será como antes, porque a quebra de solidariedade para com a Grécia deixa cicatrizes que aos poucos vão estigmatizar todos os países com assistência financeira; sendo mais que certo que Portugal será a próxima vítima; e a resistência não durará mais que dois anos.

Porque vivemos num frágil período de paz, a Europa esquece o papel preponderante que a Grécia tem e sempre teve na defesa do Ocidente; sendo um entreposto de civilizações e credos, onde as conflitualidades são milenares; tendo já travado diversas guerras onde sempre saiu vencedora, em nome de valores que os novos donos da Europa agora tentam esquecer.

Hoje mais do que nunca, a Nação grega é de uma importância vital à defesa da Europa, e dos grandes valores que são os da nossa liberdade religiosa e democrática; mas esta visão, não está ao alcance dos fracos políticos que dirigem os destinos do velho Continente; que no contexto atual já pouco pesam; porque a solidariedade deu lugar à cultura do dinheiro que é um poder sem rosto que não mede as consequências, e também não se fixa porque não é sedentário; mudando frequentemente de país e continente, para ir fazer os estragos noutros locais onde os povos se encontram em dificuldade.

Os gregos são um povo inteligente e patriota que se deixou embalar na onda, mas despertou a tempo de inverter o caminho do suicídio daquela que é a Nação mãe da civilização Ocidental; o que deveria merecer mais respeito pelos credores, que não lhes emprestam dinheiro por solidariedade, e espezinham o povo grego que vive com tremendas dificuldades há vários anos; com mais de metade da sua população a viver no limite, onde 40% das suas crianças recorrem diariamente à caridade, que também já não está nem tem capacidade de responder a tanta pobreza.

Este é o verdadeiro espelho de uma falsa “Europa Unida”; que se empenha na defesa dos interesses sem rosto, que estão a demolir os pilares da “democracia” cuja palavra e prática teve precisamente a origem naquele país que está à beira de ser empurrado para fora da união.

A Grécia é muito mais que uma dívida; foi desde a antiguidade pela posição geográfica e estratégica, a guardiã dos grandes valores ocidentais que são a democracia e a cristandade; um tampão aos “ventos de leste” que ameaçam a velha Europa, e que mais uma vez não andam muito longe; por isso a Grécia, independentemente dos erros que alguns dos seus dirigentes cometeram no passado recente, pertence mais a Europa do qualquer um outro país; e para o lado que os gregos caírem os europeus também caem.  

Fechar as negociações antes do resultado do referendo do dia 5 de Julho, foi um erro de “gente com fraca visão politica”; cujo objetivo é levar o governo de Alexis Tsipras à demissão, e colocar no poder os mesmos que endividaram aquele país; mas o trabalho de Tsipras e Varoufaquis já está feito, e ninguém lho pode tirar; alertaram os Europeus para a tirania da dívida imposta aos povos mais pobres, onde só lhes resta uma de duas opções; a subserviência que conduzirá o povo grego à escravidão por centenas de anos; ou como única saída, a renúncia ao seu pagamento; será caso para dizer, que a Europa só será aquilo que os gregos quiserem.

* Joaquim Vitorino, Jornalista, Mentor do Blog

O rumo da Europa

O rumo da Europa

The following two tabs change content below.
Avatar
O BLOG Povo de Portugal é originado pelo título original de "Jornal Povo de Portugal". Nasceu em 19 de Novembro de 2007. Data em que nasceu o Jornal Povo de Portugal, editado durante vários anos em papel, foi percursor dos Jornais de Oleiros e de Vila de Rei. Percorreu a Europa, ligou os Portugueses espalhados pelo mundo com inegável sucesso. Vicissitudes várias, determinaram a suspensão que agora acaba, retomando as edições em online numa primeira fase como BLOG. Os insistentes incentivos de tantos Amigos espalhados pelo mundo, determinam a indispensabilidade de admitir esta medida que aqui anuncio com prazer e ambição. Voltaremos em breve a estar reunidos na defesa dos mesmos valores, dos mesmos objectivos, agora sob a designação de BLOG.