Lisboa é das cidades menos preparadas para idosos viverem

Lisboa é das cidades menos preparadas para idosos viverem
As pessoas mais idosas precisam de condições ideais para se deslocarem, e o ideal não é nada do outro mundo.
São pavimentos razoáveis, alguma proteção em relação ao automóvel, com continuidades e passadeiras bem pintadas; zonas com limite de velocidade de 30 ou 20 em certos sítios, segundo um estudo feito pelo departamento de arquitetura da Universidade da Beira Interior (UBI).
A 1 de outubro assinala-se o Dia Internacional das Pessoas Idosas, e o tema é sobre ambientes urbanos sustentáveis e inclusivos, de forma a antecipar a terceira conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre habitação e Desenvolvimento Urbano Sustentável, que irá decorrer em 2016.
Segundo as Nações Unidas, a mobilidade das pessoas para as cidades está a fazer-se a um ritmo recorde; sendo expectável, que seis em cada dez pessoas no mundo resida em áreas urbanas em 2030; e o número está a aumentar mais rapidamente nos meios urbanos dos países em desenvolvimento.
O efeito combinado destes dois fenómenos, significa que o número de pessoas com 60 ou mais anos que vivem nas cidades, poderá crescer para mais de 900 milhões até 2050; o que representa um quarto da população urbana nos países em desenvolvimento.
A cidade de Lisboa, não está pensada nem preparada para as pessoas mais idosas.
Era essencial que fosse reestruturada com base no peão, o que significa criar vizinhanças em que o peão se sinta o melhor possível; e que haja continuidade para que os Idosos se possam deslocar com alguma segurança e comodidade.
O Idoso é o peão mais sensível; e para se deslocar precisa de condições mais confortáveis do que as pessoas que têm o uso pleno das suas faculdades motoras.
Nesse sentido,  o padrão pensado e usado para a pessoa idosa deveria ser a base para todos os cidadãos, no sentido de tornar as cidades mais amigáveis, mais passeáveis, em termos de conforto e de proteção em relação aos automóveis.
Admite-se que não se trata de um trabalho que se faz de um dia para o outro, mas temos o exemplo das ciclovias que têm vindo a ser construídas; para se sugerir, que agora se pensem em estruturas só para os peões idealizadas de maneira a ligarem os vários bairros.
Temos um bom clima para estar na rua, e os idosos estão na rua sempre que podem. Temos de criar o máximo de condições para que as pessoas designadamente os idosos, possam estar intensa e prolongadamente no exterior, porque a esmagadora maioria habita em casas pequenas e sem jardins ou varandas.
Se isso for feito,  o espaço público na área urbana será usado por todos de uma forma mais estimulante, e encarado como um prolongamento da casa.

A ONU refere que as cidades bem planeadas têm mais probabilidades de gerar riqueza e oportunidades educacionais, além de habitação e ambientes urbanos mais acessíveis e seguros para os mais idosos.
Com a comemoração deste ano, as Nações Unidas espera conseguir demonstrar que uma agenda inclusiva no que respeita à idade, é crucial para promover a equidade, o bem-estar, e uma prosperidade que seria partilhada por todos, num  ambiente urbano, saudável e sustentado.

* Joaquim Vitorino, Jornalista e Blogger

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