O Governo de esquerda está à vista, mas é nas mãos do comité central do PCP que está a decisão final.

A reunião do orgão máximo dos comunistas entre Congressos começou às 11 horas.

Por volta do meio dia, a direção comunista permite a abertura da sala aos jornalistas, mas apenas para recolha de imagem.

Para as 19 horas está marcada uma conferência de imprensa, onde será revelada a decisão final do partido sobre a possibilidade de avalizar o acordo político.

É esta a condição sine qua non para que, finalmente, possa haver luz verde para a formação de um Governo socialista, com apoio parlamentar das bancadas do BE, PCP e Verdes.

O comité central do PCP é um orgão de decisão máxima do coletivo comunista.

Reuniu, pela última vez, no dia 6 de outubro e foi o comité central que assumiu como estratégia política do pós eleições, o derrube da coligação PSD/CDS através da apresentação de uma moção de rejeição de uma eventual proposta de Governo que juntasse os dois partidos de direita.

Foi aí que os comunistas deram ainda garantias de que viabilizariam um Executivo socialista. “O PS só não é Governo se não quiser”, disseram, na altura.

A chave da decisão volta, hoje, ao comité central.

Em cima da mesa está o aval do acordo técnico que já foi alcançado nas negociações desenvolvidas entre PCP e PS ao longo do último mês e que constituirá o programa do Governo socialista.

Mas, de mais difícil entendimento, está a ser o acordo político, exigido pelo PS e que dê garantias de governabilidade ao próximo Executivo que quer apresentar-se como para uma Legislatura.

QUEM É O COMITÉ CENTRAL?

O momento político colocou, assim, o comité central no centro da decisão. Importa, por isso, saber quem são os 148 elementos que o constituem e de cuja decisão depende a viabilidade da alternativa de governo.

O atual líder Jerónimo de Sousa integra este orgão, assim como o ex-secretário geral, Carlos Carvalhas. Toda a comissão política e o núcleo de dez membros do secretariado integram o comité central, por inerência de funções, trazendo nomes como Jorge Cordeiro, Luísa Araújo, ou Albano Nunes para este orgão de decisão política e estratégica do partido.

Os eurodeputados Ilda Figueiredo, Ines Zuber e João Ferreira também fazem parte do comité central, assim como os deputados João Oliveira, Francisco Lopes, António Filipe e Bruno Dias, que são os únicos elementos da bancada parlamentar a integrar este orgão.

Antigos dirigentes como Bernardino Soares ou Ruben de Carvalho, e Agostinho Lopes estão presentes, mas mais forte é a presença de sindicalistas, todos eles da CGTP, e que representam, ou representaram a direção da Inter.

Exemplos? Desde logo Arménio Carlos, mas também Graciete Cruz, Amável Alves e Fátima Messias.

O esforço de equilíbrio entre a componente operária e intelectual na representatividade do comité central continua bem presente. Neste momento, há 104 operários naquele orgão, o que equivale a 70% do total.

Uma percentagem francamente maior do que a da representação feminina que corresponde apenas a um quarto das presenças no comité central.

O comité central fez, tal como todos os orgãos do PCP, um enorme esforço de rejuvenescimento. O resultado está à vista, com uma diferença de idades que vai dos 21 anos de Francisca Goulart até aos 72 anos de Rui Namorado Rosa.

Apenas 26 membros do comité central têm mais de 60 anos, o que equivale a uma percentagem de menos de 18%. Quase 35% dos dirigentes comunistas deste orgão têm menos de 40 anos e, sublinhe-se, há 11 membros com idades abaixo de 30 anos. São cerca de 8% apenas.

Mas um sinal da mudança nos ventos da direção comunista.

Comité Central do PCP

Comité Central do PCP

  • Fontes: Com a devida vénia Rosa Pedroso Lima doExpresso e Redacção

 

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