Num telefonema de hoje, neste mês de dezembro, tive o previlégio de falar com o Ex- Presidente da Casa do Alentejo, Luís Bento Jordão ( O Senhor Alentejo) e veio à baila um dos seus importantes livros ” Apontamentos datados” que quero aqui recordar.

O Luís fez questão de destacar todas as peças, mas uma em particular, relativa a Henrique Pousão, um dos maiores pintores da história portuguesa e particularmente do Alentejo.

Em homenagem a Luís Bento Jordão, aqui deixamos essa nota que desejamos possam apreciar.

PF

…………

Henrique Pousão

Para que não esqueçamos – Janeiro de 2003

Genial.

Henrique César de Araújo Pousão, é bem uma figura de alentejano de que todos nos devemos orgulhar.

É vulgar ouvirmos dizer, e é verdade, que ninguém pode escolher o lugar onde nasce. No entanto, não existe a mesma impossibilidade quanto ao lugar onde se morre, salvo excepções. No caso concreto de Henrique Pousão, veio à vida no Alentejo, Vila-Viçosa, porque o pai, Francisco Augusto Nunes Pousão era delegado do Ministério Publico em Elvas.

Portanto, de facto, não foi escolha sua ter nascido em Vila-Viçosa.

Mas foi decisão inequivocamente sua quando sentiu, em Capri, a morte aproximar-se, vir morrer ao Alentejo, a Vila-Viçosa.

Henrique Pousão nasceu em 1 de Janeiro de 1859, filho de Francisco Nunes Pousão e de Maria Teresa Alves de Araújo.

Estuda em Portalegre até 1872, data em que seu pai é transferido no âmbito da sua actividade profissional para Barcelos, e Henrique Pousão começa a estudar no Porto, no atelier do pintor António José da Costa e, mais tarde, depois de prestadas as respectivas provas, na Academia Portuense de Belas Artes, onde facilmente se distinguiu, tendo recebido variadíssimos prémios, alguns deles monetários.

Completa os cursos de pintura, escultura e arquitectura, em todas as áreas, em situações várias, com posições de realce.

Em 1880 vai para Paris por ter sido aprovado nos testes de candidatura ao pensionato, vindo a ser seus professores alguns dos importantes nomes da época. É em Paris que uma constipação/gripe/resfriado, provavelmente mal tratada/curada, lhe marca um final a curto prazo.

É esta situação que o obriga a abandonar a França, deslocando-se então para Itália, por onde viajou na procura de um clima temperado, fixando-se em Capri, tendo antes disso dado alguma participação e estudado no círculo de artistas em Roma.

É em Capri que pinta uma parte significativa da sua obra, parecendo sentir que o tempo que restava era escasso, pois por todos os médicos tinha já sido desenganado.

Regressa a Vila-Viçosa em 1884, apressadamente, morrendo em 20 de Março do mesmo ano, somente com 25 anos.

A esmagadora maioria da sua obra encontra-se exposta no Museu Soares dos Reis, na cidade do Porto e, sinceramente, recomendamos uma visita atenta.

Apontamentos datados

Apontamentos datados

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