Marcelino dos Santos era Herói Nacional em Moçambique

O poeta e político Marcelino dos Santos, um dos fundadores da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), morreu esta terça-feira aos 90 anos, anunciou o Presidente da República, Filipe Nyusi.

Perdemos o nosso ícone, o camarada Marcelino dos Santos”, disse o chefe de Estado no final de um comício em Pemba, província de Cabo Delgado, acrescentando que seriam dados detalhes mais tarde. “Iremos nos organizar, como Governo, porque ele já foi proclamado herói nacional.

Não esperámos que acontecesse o que hoje aconteceu para o declararmos nosso herói”, concluiu

Marcelino dos Santos escreveu os primeiros estatutos da Frelimo e foi o primeiro ministro da Planificação e Desenvolvimento após a revolução. Deixou o cargo em 1977, depois de ser constituído o primeiro Parlamento moçambicano. Foi presidente da primeira Assembleia Popular, até 1994, ano em que Moçambique realizou as primeiras eleições legislativas.

Muitos se perguntaram por que razão nunca chegou a Presidente. Como aponta a Deutsche Welle, o facto de ser mestiço terá contribuído para a queda em desfavor, pois poderia ser associado ao colonialismo. “Como dizia Aquino de Bragança, Marcelino nunca foi presidente da Frelimo, tinha as funções que lhe eram dadas e executava-as”, comentou o historiador Yussuf Adam à emissora alemã Deutsche Welle. “Mas tinha uma grande característica: era o líder anti-líder, era aquele que conseguia dirigir sem ser chefe formal e isso é algo que realmente devemos a Marcelino dos Santos.”

Numa entrevista ao PÚBLICO em 2014, o académico moçambicano Carlos Nuno Castel-Branco acusava o então Presidente Armando Guebuza de estar “a querer fascizar o país”, denunciando, entre outras faltas graves, “um ataque dentro da Frelimo, mesmo a figuras históricas como Marcelino dos Santos e Jorge Rebelo”.

Nascido em Maio de 1929, Marcelino dos Santos destacou-se na luta contra o colonialismo português, e não só em Moçambique: “A edificação dos movimentos de libertação fez com que o seu nome ultrapassasse fronteiras e conquistasse respeito”, escreve a jornalista Nádia Issufo na Deutsche Welle​.

Numa entrevista que deu à Rádio Nacional de Angola, em 2006, agora relembrada pela Deutsche Welle,  perguntaram-lhe se não podia ser ele um herói. “Eu tenho um grande problema com este conceito de herói. Havia um grande poeta moçambicano que dizia que dizia que o herói serve-se morto.”

Marcelino dos Santos também foi poeta. Usou os pseudónimos Kalungano e Lilinho Micaia; com o seu nome publicou apenas um livro, Canto do Amor Natural.

  • Com Fontes e Agências
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