Embaló promete abrir portas de Portugal à África Ocidental

Na visita a Portugal, presidente da Guiné-Bissau discutiu com o governo português o perdão de dívida e o apoio de Lisboa a projectos locais, como a certificação das infraestruturas que irão permitir o processamento do peixe capturado nas águas guineenses.

O Presidente da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, prometeu este sábado que Portugal será um parceiro privilegiado da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) quando assumir a presidência em exercício daquela organização sub-regional.

Penso que é muito positiva a minha vinda para Portugal, porque Portugal é a porta de entrada na União Europeia e é para mostrar que somos dois povos condenados a andarem juntos“, afirmou Umaro Sissoco Embaló, numa conferência de imprensa em Lisboa de balanço da visita de Estado a Portugal que terminou na sexta-feira.

Primeiro-Ministro António Costa visita Bissau em Novembro

Na visita, Sissoco Embaló acordou com o primeiro-ministro português, António Costa, a visita do chefe de governo de Lisboa a Bissau, que já está definida “para novembro”.

Na sua opinião, as crises políticas na Guiné-Bissau são já coisas do passado e “havia uma interpretação errada da comunidade internacional” que está a mudar.

Para tal, a Guiné-Bissau quer aumentar a sua presença na sub-região, colocando-se como elemento de ligação entre o espaço lusófono e a CEDEAO, que tem uma maioria de países anglófonos e francófonos.

“A dimensão da Guiné-Bissau junto do espaço da CEDEAO não é a mesma [como] há 20 anos” e “Cabo verde também tem as suas influências na zona e é um membro ativo” na organização, afirmou.

“Nós juntos podemos ser porta-vozes de Portugal na CEDEAO”, afirmou Sissoco Embaló, acrescentando que tem um acordo com os parceiros vizinhos para assumir a presidência em exercício da organização.

O Presidente da Guiné-Bissau explicou que “será a primeira vez que um país lusófono vai presidir à CEDEAO”, sucedendo ao Gana, e admitiu que esta nomeação é também “uma forma de prestígio” para o país.

“A Guiné é um país virgem para investimento”, afirmou Sissoco Embaló, salientando que o que falta fazer depende da estabilidade no país.

“Para haver infraestruturas é preciso estabilidade” e o “investimento vem com a credibilidade” e “hoje todas as instituições estão a funcionar plenamente”, afirmou.

Mas há “regras e quem manda é o Presidente da República”, avisou Sissoco Embaló.

Nas declarações aos jornalistas, Umaro Sissoco Embaló afirmou-se amigo do Senegal, com quem quer renegociar o acordo sobre a gestão dos hidrocarbonetos na área conjunta, e voltou a criticar o Presidente da vizinha Guiné-Conacri, Alpha Condé, acusando-o de “estar a tentar um golpe” ao forçar um terceiro mandato.

Na visita a Portugal, Sissoco Embaló discutiu com o governo português o perdão de dívida e o apoio de Lisboa a projectos locais, como a certificação das infraestruturas que irão permitir o processamento do peixe capturado nas águas guineenses.

A discussão sobre a dívida está a ser feita também com outras organizações internacionais, como o Fundo Monetário Internacional, e países como a China, o maior credor do país.

Na conferência de imprensa, o chefe de Estado guineense alegou que o país já não é um palco de circulação de droga como no passado, considerando que o “Estado estava quase no chão”, sem meios para lidar com o problema.

A corrupção e narcotráfico são coronavírus políticos“, considerou, minimizando a substituição que foi promovida de elementos das autoridades criminais.

“Para mim, não há ninguém minimamente insubstituível”, justificou, embora salientando que o fenómeno da droga nunca foi tão grave como os observadores internacionais apontavam.

“Falávamos da Guiné-Bissau como se fosse a Colômbia ou a Venezuela”, disse.

Umaro Sissoco Embaló voltou a defender uma constituição de pendor mais presidencialista, recordando que a Guiné-Bissau dá um protagonismo maior ao Presidente a República do que Portugal ou Cabo Verde, na nomeação de figuras do Estado ou na presidência do Conselho de Ministros.

Mas “não estou como um Kim Jong-un”, numa referência ao líder norte-coreano, considerando que a centralização de poder permite combater a instabilidade política.

  • Com a devida vénia ao DN e à LUSA.
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