2021: acelerar a recuperação de Cascais

Acreditamos que a educação e o conhecimento não são só a chave para a recuperação da sociedade no pós-pandemia. Elas são também o garante da inteligência territorial (condição de competitividade global) e do funcionamento do elevador social (condição da coesão).

A vacina chegou e com ela a esperança de vencer a crise de saúde pública. Como sempre disse, esta é uma pandemia com várias dimensões. Tendo na vacina a principal arma no combate à Covid-19 temos de encontrar formas de, rapidamente, reconstruir a nossa sociedade e criar uma economia melhor e mais sustentável. Com urgência, é preciso debelar a pandemia económica e social que se formou na cauda da crise de saúde pública.

Em Cascais abraçámos o desafio de acelerar a recuperação da economia e regeneração dos laços sociais. Este é o nosso plano em quatro passos para o novo Ano. Para que, do velho, só fiquem as memórias de um tempo que não queremos voltar a viver.

Mobilidade: pré-condição para a liberdade. Há precisamente um ano Cascais tornava-se no primeiro concelho do país com mobilidade rodoviária inteiramente gratuita para todos os moradores, trabalhadores ou estudantes no concelho. Esta revolução seguia outras, na mesma área, na qual Cascais tinha sido pioneira. A título de exemplo, recorde-se a introdução de um veículo autónomo de transporte público de passageiros, a criação da rede de bicicletas partilhadas ou o lançamento do cartão Mobi com oferta integrada da bilhética de comboio, estacionamento, autocarro e formas de mobilidade suave.

Em 2021, e sabendo que a mobilidade é a chave para uma cidade moderna, competitiva e sustentável, damos mais um salto qualitativo com a apresentação do novo operador de transporte coletivo rodoviário. Previsivelmente no fim do primeiro semestre, o grupo espanhol Martin será o novo fornecedor de serviço público de transportes. A Martin duplicará a oferta de km, por um menor preço e dotará a sua rede com uma frota de autocarros completamente novos e equipados com wi-fi, sensorização, cctv e tv corporativa. Em simultâneo, será conduzida uma grande operação de renovação de todas as paragens, com informação eletrónica em tempo real e muito mais conforto e segurança para os utilizadores. A entrada do novo operador, a manutenção da gratuitidade dos transportes, os projetos de incremento da digitalização do serviço e o aumento da qualidade de experiência do utilizador, mudanças operadas pelo município, têm como ambição colocar a mobilidade em Cascais como o “padrão ouro” para a categoria.

Educação: o eixo do conhecimento. Num ano tão difícil para as comunidades educativas, 2020 termina com a inauguração de uma nova escola básica e jardim-de-infância na Parede para mais de 100 alunos. Com este novo equipamento, fica apenas a faltar uma única escola (a do Arneiro, que já tem concurso aberto) para que o executivo que lidero tenha requalificado todo o parque escolar do 1.º Ciclo. Mas o nosso objectivo para 2021 é ainda mais audaz. Marcaremos o arranque de um plano de investimentos sem precedentes na Escola Pública, com mais de 50 milhões de euros afetos à construção ou requalificação de 12 escolas de 2.º e 3.º ciclo e secundário. Trabalhando a todo o vapor para o início das obra até ao final de 2021, destaco a novíssima Escola Secundária de Cascais, que será construída de raiz depois de provisória há mais de 40 anos. Outras escolas – como Ibn Mucana, Lopes Graça e Liceu de S. João – também serão alvo de obras de grande envergadura.

Reforçando a transformação do perfil académico do concelho, 2021 dará corpo a mais uma grande universidade pública no concelho. A Nova Medical School, Faculdade de Medicina da Universidade Nova de Lisboa, tem projeto do arquiteto Frederico Valsassina em fase final de aprovação nos terrenos onde se erguia o Hospital José de Almeida, na Parede. A prestigiada Faculdade de Direito da Nova também será uma realidade nos próximos anos, multiplicando a oferta universitária da Nova em Cascais.

Acreditamos que a educação e o conhecimento não são só a chave para a recuperação da sociedade no pós-pandemia. Elas são também o garante da inteligência territorial (condição de competitividade global) e do funcionamento do elevador social (condição da coesão).

Saúde: o lançamento do SL3S. Chamámos-lhe Serviço Local de Saúde e Solidariedade Social – ou SL3S. E é, no fundo, a assunção do poder local como verdadeiro Estado Providência de base subsidiária. O próximo ano trará novidades na afirmação deste conceito que pretende dotar o poder local das ferramentas necessárias para prestar serviços públicos tradicionalmente centralizados nas burocracias do Estado.

A grande novidade é um programa da ARS com a Misericórdia e a Câmara de Cascais que inclui no sistema 20 mil cascalenses que não têm, ainda, médico de família. Com este programa, esta franja significativa de pessoas passa a estar dentro da rede dos cuidados de saúde primários – com acesso a médico, consultas e prescrição de exames de diagnóstico.

2021 trará, também, um aprofundamento da transformação digital dos serviços de saúde em Cascais. Com o reforço da telemedicina e com a aposta na Cabine Saúde, um equipamento que nasce de uma parceria da Câmara com uma seguradora de referência e que possibilita teleconsultas, realização de alguns exames complementares de diagnóstico e emissão de receita médica.

Quanto a infraestruturas, modernizaremos – ampliando ou construindo de raiz – os Centros de Saúde de São Domingos de Rana e de Carcavelos, para além de um novo Centro de Saúde em Cascais.

Todas estas medidas despressurizarão um SNS ainda muito sobrecarregado pela Covid-19 e com necessidade emergente de recuperar o engarrafamento de milhões de consultas, exames e cirurgias.

Como esta pandemia colocou em evidência, qualquer euro investido no SNS é um euro bem investido na defesa dos portugueses.

Habitação pública: ajudar a cumprir Abril. Os jovens e a classe média têm um gravíssimo problema de habitação. Por não terem acesso a casa acessível, os jovens adiam projetos e vivem debaixo do teto dos pais até aos 40. Por outro lado, famílias inteiras vêm o seu rendimento consumido por rendas ou prestações exorbitantes que deixam pouca margem de manobra para cumprir projetos de vida.

Ciente deste enorme problema social, demográfico e económico, Cascais vai dar um novo ímpeto à estratégia municipal de habitação. Essa estratégia criará núcleos de habitação a custos acessíveis em todas as freguesias do concelho. Em Cascais o Bairro Marechal Carmona; em Sassoeiros um projeto para residências universitárias, tal como no Mosteiro de Santa Maria do Mar, que assistirá ao nascimento de dezenas de alojamentos universitários. Para a Adroana também estão previstas habitações. E para a Parede e Talaíde estão em estudo projetos para viabilidade construtiva. Tudo com o objetivo de fazer cumprir a função social da habitação: que todos, especialmente os jovens e as classes médias, tenham uma casa a partir da qual possam erguer os seus projetos de felicidade.

Estes são alguns exemplos dos eixos principais, sem descurarmos todo o investimento em curso em termos ambientais e sociais.

PS: A todos os leitores e colaboradores do i deixo os meus votos de um 2021 com saúde, felicidade e prosperidade.

Presidente da Câmara Municipal de Cascais

  • Com a devida vénia ao Jornal i
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