CABUL CAIU E O EMIRADO VOLTOU

Temos a Idade Média a Caminho do Ocidente

Os Talibãs ocuparam a Capital Cabul seguindo-se o colapso da República Islâmica do Afeganistão a 15 de agosto de 2021; o Afeganistão passou a ser governado pelo Emirado Islâmico do Afeganistão que é controlado pelo talibã (1).

As forças policiais e militares formadas pela NATO entregaram-se, o Presidente do Afeganistão fugiu, as embaixadas estrangeiras fazem as malas e fogem e toda uma geração de afegãos colaboradores da Nato temem agora pela sua vida. As quantidades imensas de armas e munições passam para as mãos dos Talibãs que as usarão contra quem lhes ofereça resistência. Os combatentes da Al-Qaeda que se encontravam presos foram libertados e não deixarão o seu ídolo Bin Laden sem vingança.

O reinado do terror volta com a vingança dos guerreiros de Deus. Em vez da nação tem-se um califado. A bandeira nacional será abolida. A “Rádio Sharia” é criada e os homens do turbão pincelam já, nos cartazes, sobre os rostos das mulheres .

Um desastre para a Europa e para o mundo!

A vitória dos islamistas radicais provocará um surto da emigração de muçulmanos para o Ocidente; seis milhões de afegãos tentarão fugir do país; no futuro assistiremos a um reforçar do terror muçulmano apoiado pela Arábia Saudita, Irão e Paquistão e agora também pelo Afeganistão.

Foi tudo em vão: a vida de pessoas, os triliões de euros lá gastos e investidos. Também dois portugueses lá deixaram as vidas em vão: Paulo Roma Pereira e Sérgio Pedrosa,

O ocidente capitulou, mas continuará a fazer os mesmos erros; não há remissão; a história das catástrofes é comprida: Vietname, Iraque, Líbia, Síria e agora Afeganistão!

Todos somos responsáveis: Muitos dos nossos impostos, em vez de serem empregues em fomento da paz dos povos são queimados em guerras prejudiciais.

Os islamistas não brincam em serviço, não se limitam a administrar a miséria, preferem aumentá-la para que os seus caciques melhor vivam dela. Temos a Idade Média a caminho do Ocidente e a perseguição dos cristãos no país também pelo facto de serem identificados com a política do Ocidente!

A Sharia será rigorosamente aplicada. Os talibãs ao apossarem-se das províncias de Badakhshan e Takhar emitiram uma ordem aos líderes religiosos locais para lhes entregarem uma lista das meninas com mais de 15 anos e viúvas com menos de 45 para “se casarem” com combatentes do Talibã. A Sharia já era aplicada no Afeganistão na qualidade de República Islâmica (Artigo 3 da sua Constituição): “Nenhuma lei deve infringir os princípios e disposições da sagrada religião do Islã no Afeganistão.” A Sharia implica que a lei islâmica é a única lei.

É uma catástrofe para parte da população afegã que tenta fugir e não pode e para tanta mulher que vê morrer suas legitimas aspirações e se vê lograda por ter confiado no apoio dos ocupantes.

O que nos resta é a esperança que mesmo num governo de extremistas as forças internas do Afeganistão proporcionem, nos próximos vinte anos, mais desenvolvimento e libertação do que o que tinham adquirido neste mesmo espaço de tempo com a presença da NATO.

Os Talibãs querem impor a sua maneira de viver como o Ocidente lhes queria impor a sua. A razão não conta; o poder é que ganha e à posteriori encontra sempre legitimação.

Uma curiosidade sintomática é o silêncio cobarde por parte dos conhecidos grupos activistas de profissão: não se veem manifestações de protesto contra o destino das mulheres afegãs e dos homossexuais. Não se observa nenhuma comunidade muçulmana moderada no Ocidente que mostre a sua preocupação com o ataque ao poder no Afeganistão pelos radicais. As mesquitas na Europa calam-se: trata-se do agir de irmãos que de uma maneira ou de outra contribuem para a expansão islâmica! Os estados muçulmanos primam pelo silêncio. Apesar disto o Ocidente não só perde a guerra militar indevida como perde a sua personalidade cultural, primando pela indiferença!

O ocidente encontra-se em maus lençóis. Por um lado, a agressão muçulmana e por outro a crescente dependência chinesa! O ministro das Relações Exteriores da China, Wand Yi, recebeu uma delegação de alto nível do Talibã na quarta-feira passada.

Da ingénua e atrevida missão da NATO pode-se concluir: não há vitória contra o mal, convive-se a meias com ele! Agora que os extremistas estão no poder, os políticos vão cooperar com eles, o que antes era tabu.

A guerrilha talibã islâmica será usada como exemplo da melhor maneira de tomar o poder! A vitória dos talibãs no Afeganistão é um grande encorajamento para outros grupos terroristas reforçarem a sua luta em África.

Os políticos do Ocidente permanecem na sua mesma arrogância de não envolvidos, desviando o fracasso político para canto, sem assumirem responsabilidade pelos danos ( Sabem que o que fazem é feito em nome do povo!).

António CD Justo

Pegadas do Tempo, https://antonio-justo.eu/?p=6707

PS: Devido à atualidade do que escrevi no dia 10 de Agosto sobre a situação do Afeganistão, coloco aqui o link do artigo: AFEGANISTÃO A CAMINHO DO  IRÃO TEOCRÁTICO, https://antonio-justo.eu/?p=6702 ou https://jornaldeoleiros.sapo.pt/…/afeganistao-a-caminho

  1. O Talibã governou grande parte do país de 1996 a 2001; naquela época, fundaram o “Emirado Islâmico do Afeganistão”. Em 2001, o grupo Al-Qaeda e seu líder Osama bin Laden instalado no Afeganistão orientou daí os ataques terroristas de 11 de setembro e os EUA viram o Talibã como cúmplice e intervieram com seus aliados no Afeganistão. Estima-se que o líder talibã Hibatullah Achundsada tenha cerca de 100.000 combatentes. Os Talibãs (sunitas extremistas) financiam-se principalmente através do cultivo e contrabando de ópio.
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