TONY TCHEKA E ABDULAI SILLÁ RECEBEM PRÊMIO “GUERRA JUNQUEIRO”

Depois de ter sido condicionada pela pandemia da covid-19, finalmente o poeta e escritor guineense, Tony Tcheka (António Soares Lopes) e o romancista e dramaturgo, Abdulai Sillá, que foram os vencedores do Prémio Literário “Guerra Junqueiro Lusofonia”, 2020 e 2021 respetivamente, receberam ontem (27.04.2022), no Centro Cultural Português em Bissau, os seus prémios.

Prémio entregue

Ana Luísa Pereira, vice-presidente da Câmara Municipal de Freixo de Espada à Cinta e vereadora da Cultura, diz ser “um privilégio poder distinguir estes dois escritores guineenses, que tão bem representam a literatura lusófona. Tal como Guerra Junqueiro, patrono desta iniciativa, são ativistas no plano social, económico e cultural e ousam desafiar modelos, dando voz e fazendo diferente a causas sociais e culturais“.

Cerimónia em Bissau

Para a coordenadora do Prêmio Literário, Avelina Ferraz a distinção baseia-se no facto de a obra de Tony Tcheka, vencedor 2020, “refletir, invariavelmente, a sua visão crítica sobre todos os aspetos da sociedade guineense e de Abdulai Sila, vencedor do mesmo prémio, na edição de 2021, ser um elemento fundamental na sociedade guineense por se dedicar, enquanto investigador social, à alfabetização da população.
Voz ativa e participativa na literatura lusófona contemporânea que o seu trabalho se destaca. A sua formação e posição que lhe permitem, ainda, utilizar as tecnologias emergentes como forma de alavancar o desenvolvimento económico-social do seu país de origem“. Refere Avelina Ferraz.
Ao receber o referido prêmio, Tony TCHEKA, afirma ser este o momento do guineense juntar capacidades e vontades para construir o amanhã e já, porque segundo ele, construção do amanhã tarda e o mundo é complicado.
Nós temos que ser capazes de utilizar a escrita para combater a inveja e cantarmos as nossas vitórias assim como sofremos com as nossas derrotas. Agora este é o tempo de juntarmos as capacidades, as vontades e construirmos o amanhã já, porque a construção do amanhã tarda e nós não podemos dar ao luxo, porque o mundo anda e o mundo hoje é o mundo complicado…
Vamos pagar loucuras e outras loucuras, nós já pagamos e estremos a pagar mais as facturas de nossas loucuras… Se nós nos juntarmos as nossas capacidades e conhecimentos e dermos primazia ao saber, se nós apostarmos no conhecimento, o guineense vai deixar de imigrar“, assegurou o também jornalista de profissão.
Em relação ao prêmio, Tcheka diz ser da Guiné-Bissau o prémio recebido, sendo esta a fonte da sua inspiração e as razões porque escreve.
Esta é a base da minha inspiração, Guiné-Bissau, e eu acredito que a nossa Guiné-Bissau vai ser mãe, não madrasta, e teremos condições para sermos mais felizes“. Acrescentou.

A cerimónia que contou com presença de várias personalidades, entre eles escritores, músicos, assim como do ator internacional guineense, Welket Bungue e do presidente do PAIGC, foi marcada pela ausência de um dos nomeados, Abdulai Silá, e que foi representado pelo escritor Edson Incopté.

O Prémio Literário “Guerra Junqueiro” é promovido no âmbito do Freixo Festival Internacional de Literatura (FFIL), foi Instituído desde 2017 em Portugal.
O primeiro prémio foi atribuído a Manuel Alegre, seguindo-se Nuno Júdice, em 2018, José Jorge Letria em 2019, Ana Luísa Amaral em 2020, em 2021, o prémio foi atribuído a Hélia Correia e o nome para 2022 segundo informações disponíveis, será revelado em breve.
* Por: Eliseu Sambú (E.S.),com a devida vénia.
Um agradecimento à Directora do Grupo Novembro em Bissau, Dra Avelina Ferraz que facilitou a presente notícia e fotos.
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