Ucrânia: Putin poderá ter um problema de revolta militar em mãos, apontam relatórios

O exército russo, e Vladimir Putin, tem atravessado sérios conflitos nas suas fileiras militares, de acordo com relatos – de insubordinação de oficiais e baixo moral das tropas na Ucrânia – de um alto funcionário da Defesa dos Estados Unidos. Segundo o funcionário do Pentágono, os relatórios apontam para oficiais de cargos de nível médio, incluindo alguns a nível de batalhão.

“Há boas razões para o baixo moral do lado russo. A guerra não está a correr bem. O seu propósito não é claro e travar uma guerra contra um vizinho – com quem é fácil comunicar – é psicologicamente pesado para os soldados”, explicou Michael Kimpage, prodessor univesitário de história e ex-membro da equipa de planeamento de políticas do Departamento do Estado, ressalvando, em declarações à revista ‘Newsweek’, que não viu qualquer evidência que sugerisse uma rebelião generalizada entre as tropas de Putin.

O diretor da Agência de Inteligência de Defesa, Scott Berrier, garantiu, numa audiência do Senado americano, que entre 8 e 10 generais russos foram mortos desde o início da invasão da Rússia. Berrier atribiu o grande número de mortes à falta de suboficiais militares, o que tem forçado os líderes militares mais elevados a permanecer na linha da frente.

Lawrence Reardon, professor associado de ciência política da Universidade de New Hampshire, disse que esse tipo de realidade na guerra pode levar a divergências entre oficiais e soldados. “Não estou surpreendido com as histórias que retratam soldados russos e até oficiais de nível médio a recusar-se a seguir ordens, pois estão a enfrentar uma forma diferente de guerra, onde os soldados não apenas se preocupam com minas terrestres, mas também com drones silenciosos e invisíveis a voar por cima das suas cabeças e a lançar mísseis nos blindados e nos generais russos”, apontou Reardon.

O especialista apontou ainda que a maioria dos soldados na Ucrânia “são recrutas que estão a lidar com equipamentos antigos ou defeituosos e carecem de conhecimento tecnológico” para combater as armas que o Ocidente tem entregado à Ucrânia. A falta de suboficiais é um problema pois tais líderes poderiam ajudar “a manter os recrutas obedientes às ordens”.

Insubordinação e baixo moral das tropas são coisas que acontecem em qualquer guerra”, disse Yuri Zhukov, professor associado da Universidade de Michigan. “A Rússia quase certamente tem um problema moral mais sério do que os ucranianos, que estão a adaptar-se para manter esses casos contidos. Em tempo de guerra, cada lado tem um incentivo para minimizar publicamente as suas próprias perdas e a inflacionar as perdas do oponente, incluindo casos de soldados a renderem-se, a desertar ou a desobedecer a ordens.”

  • Com a devida vénia a Francisco Laranjeira
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